Bienal de Arte do Haiti


Recentemente tentamos dar as boas-vindas aos haitianos que tiveram seu país devastado por um terremoto que muitos brasileiros não conseguem nem imaginar o estrago que fez. 

 

No Brasil, os haitianos foram para várias cidades de capitais ao interior. Porém, tem um problema que sempre nos incomodou aqui na Nun: vieram pessoas extremamente qualificadas com faculdade e fluência em várias línguas, mas que tiveram que aceitar empregos muito abaixo de suas qualificações. Temos imigrantes haitianos formados em contabilidade com fluência em espanhol e francês que estão trabalhando em chão de fabrica no Brasil. Para muitos a realidade brasileira é muito melhor do que lá, mas achamos que ainda não é ideal.
Com isso em mente, temos um super interesse nos artistas haitianos. Somos adeptos do pensamento que a criatividade flui pelo sofrimento e infelizmente o Haiti se torna, naturalmente, um lugar foco. 

 

Bienalle do Ghetto em Port-au-Prince já teve 4 edições e conta com a participação de muitos artistas internacionais. A participação haitiana ainda é pequena, mas está crescendo ano após ano. Diferentemente das bienais de arte como a de Miami, a do Haiti toca em temas mais pesados e quase que "zomba" das bienais luxuosas em outras cidades pelo mundo.

 

Rebuild
Crédito: Camille Chedda, Obra: REBUILD - www.ghettobienalle.org 
 
As obras chegam a ser macabras ao ponto que muita gente não está acostumada. A obra abaixo do artista Jerry Reginald Chery foi feita com os restos mortais de sua própria mãe, vítima da catástrofe.

 

Crédito: Jerry Reginald Cherry aka Twoket, Obra: Lakou a Gen Gran Moun | The Elders of the Lakou - www.ghettobiennale.org
 
Muitas obras fazem referencia à morte e ao voodoo como faz a obra do renomado artista haitiano Andre Eugene.

 

Eugene Andre
Crédito: Eugene Andre, Obra: E Pluribus Unum - www.ghettobiennale.org
 
O amigo e artista brasileiro Jefferson Kielwagen, professor de arte radicado em nos EUA, expôs na Bienal e conta que:

 

"Poucos artistas Haitianos tem o privilégio de fazer arte que não seja vendável. Instalações, ações efêmeras e instalações, práticas populares na maioria das bienais de arte contemporânea ao redor do mundo, são inviáveis no Haiti. É uma questão de sobrevivência. Como a vida no Haiti é muito difícil, os artistas dependem das vendas de suas obras, e a produção artística tende a produzir objetos vendáveis e de pequeno porte, como esculturas e pinturas, que possam ser vendidos aos turistas.”

O Haiti é um país muito pobre e seus problemas serão dificilmente entendidos pela comunidade internacional. Torcemos pelo reconhecimento e valorização dos refugiados, pela reconstrução do país e pela 5a edição da Bienalle do Ghetto!