6 fatos que você precisa saber sobre banheiros unissex – Nun - Roupas e Acessórios

6 fatos que você precisa saber sobre banheiros unissex


Na balada, na sua faculdade ou em algum outro lugar talvez você já tenha encontrado algum banheiro unissex ou inclusivo. No Brasil, alguns estabelecimentos estão adotando a prática para trazer acessibilidade a todas as pessoas, independentemente da sua identidade de gênero. Contudo, essas novas medidas estão enfrentando algumas resistências por parte de alguns grupos e gerando um debate acirrado sobre o tema, que se aprofundou ainda mais depois da construção do banheiro unissex da PUC, que gerou uma forte discussão nas redes sociais e também na mídia nacional.A seguir explicaremos detalhes sobre esse caso e daremos mais informações que você precisa saber para formar uma opinião sobre o tema.

 

 1. Banheiro unissex PUC

 A Pontíficia Universidade Católica (PUC) em uma reforma feita em agosto, instalou um banheiro unissex em uma de suas instalações no campus Monte Alegre, em Perdizes, zona oeste de São Paulo. Apesar de haver mais de 30 banheiros nas dependências da faculdade, este, com a placa indicando ser acessível para qualquer identidade de gênero, gerou muita polêmica e foi assunto de várias reportagens e comentários nas redes sociais. A reforma contou com investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com a Fundação São Paulo (Fundasp).

A construção tem dividido opiniões. Atualmente a postagem informando sobre a reforma dos sanitários na página oficial da PUC-SP no Facebook teve mais de 2600 compartilhamentos e mais de 7,3 mil curtidas e reações. Dentre toda essa repercussão, muitos se posicionam contra ou a favor à medida.

 

2. Banheiro unissex nas escolas

 Após esse caso, começou a ser divulgado nas redes sociais que o Ministério da Educação (MEC) havia aprovado a implantação de banheiros unissex nas escolas brasileiras. A notícia ganhou repercussão e gerou ainda maior debate depois que Alexandre Frota twittou em setembro sobre o assunto, rejeitando a medida. Contudo a notícia era falsa, um boato que começou a partir de um site humorístico.

Entretanto, antes disso, já haviam ações em relação a questão da inclusão social de transgêneros nas instituições de ensino. Por exemplo, nas escolas públicas do Paraná, a partir de 2016, os pais foram liberados para matricularem seus filhos com nome social e declarar a sexualidade com que se identifica. Assim, esse aluno tem acesso aos sanitários e vestiários conforme o gênero com que se identifica.

Em 2015, em Belo Horizonte, houve protestos organizados por pais de alunos depois de um menino ter urinado nas calças depois que uma escola de educação infantil retirou as placas de masculino e feminino dos banheiros dos prédios. Segundo os pais dos alunos, a criança ficou constrangida em urinar perto das meninas da escola.

Vale lembrar que em 2014, o Plano Nacional da Educação foi aprovado pelos deputados da Câmara Federal sem o texto que incluía as questões de gênero.

 

 3. Polêmica

Mas por que tantas opiniões divergentes quanto a instauração de banheiros unissex? Além da parcela da população que reforçam em seus discursos o preconceito às pessoas transexuais, também há, dessa vez, a discussão em relação às mulheres quanto à receio de sofrerem abusos, constrangimentos e violência por homens cis em lugares antes considerados espaços “seguros” para as mulheres.

Terry Kogan afirma em seu livro “Sex-Separation Public Restrooms: Law, Architecture and Gender” que as primeiras instalações consideradas banheiros unicamente femininos surgiram no século XIX como uma novidade da Revolução Industrial que levaram as mulheres ao trabalho nas indústrias. “A divisão por sexo dos sanitários (assim como outras instalações separadas pelo sexo) eram necessárias para proporcionar um ambiente protetor para os corpos vulneráveis das mulheres que trabalhavam, um espaço onde elas pudessem encontrar conforto e descansar seus corpos”, afirma Kogan em seu livro.

 

4. Acessibilidade e inclusão

 Atualmente as pessoas transexuais reivindicam um espaço público seguro e acessível para suas necessidades básicas. Muitas pessoas trans afirmam se sentirem constrangidas e até sofrem violência ao adentrarem um banheiro público. Por exemplo, Kiara Vellano, uma mulher transexual, em setembro deste ano, conta ao site G1, ter sido constrangida na saída do banheiro de um supermercado na cidade de Salvador (BA), por funcionários do estabelecimento.

Drauzio Varella, declara em sua coluna semanal da Folha de São Paulo que, “a questão dos banheiros vai além dos direitos civis, porque afeta também a saúde do indivíduo. “Por interferir com funções fisiológicas essenciais, dificultar o acesso a eles [pessoas trans ou não-binárias] aumenta o risco de infecções urinárias, renais, obstipação crônica, hemorróidas e impede a hidratação adequada de quem evita beber água para conter a necessidade de urinar”, afirma o doutor.

 

 5. Outros casos no Brasil

 Em 2013, um projeto de lei na cidade de Florianópolis (SC) gerou polêmica, pois determinava que lugares públicos como restaurantes, cinemas, shoppings e outros lugares de lazer deveriam oferecer além do banheiro masculino e feminino, uma opção de banheiro unissex. O plano não salientava quem deveria usar o novo tipo de sanitário, contudo proibia o uso desse banheiro por crianças. O projeto de lei, portanto, foi considerado preconceituoso e foi rejeitado no ano seguinte na Câmara.

Em 2016, foi aberto um inquérito pelo Ministério Público Federal no estado de Goiás alegando falta de identificação de gênero nos banheiros da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG). Contudo, estudantes e funcionários afirmam que tinham placas indicando que ambos os banheiros eram unissex. A faculdade recorreu da decisão e instalou indicações de gênero, após a denúncia dos alunos alegando constrangimento.

 

6. Banheiro unissex em outros países

Em 2008, na Grã-Bretanha, atendendo a pedido de alunos transexuais, uma das maiores universidades do país retirou as placas de “masculino” e “feminino” dos banheiros, colocando novas placas que sinalizavam “banheiro” ou “banheiros com mictório”, transformando os sanitários da faculdade em um recinto unissex. A medida, na época, chamou atenção da comunidade e dividiu opiniões, já que, apesar da novidade ter sido bem recebida por parte de muitos alunos e ser considerado avanço para o combate da transfobia, algumas mulheres tinham o receio de sofrerem violência ou se sentirem constrangidas.

Nos Estados Unidos, em 2016, o presidente Barack Obama aprovou uma lei a favor aos direitos dos trangêneros que determinava que as escolas públicas teriam que permitir que os alunos transgêneros usassem banheiros e vestiários de acordo com a identidade de gênero. Na época, a medida causou polêmica e revolta por parte de políticos conservadores, principalmente no estado da Carolina do Norte, que possuia uma lei que obrigava os transexuais a usar banheiros segundo o sexo de nascimento. A lei estadual foi considerada discriminatória e gerou um debate acalorado por personalidades do meio artístico, redes sociais e também por políticos do Partido Democrata.

Este ano, o atual presidente Donald Trump revogou a decisão de Obama.

E você, o que acha sobre esse assunto? Já passou por alguma situação de constrangimento em banheiro público?

 

Post Por Jéssica Lane Custódio 

 

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